segunda-feira, 4 de maio de 2009

Os piratas & a democracia


Limpem o convés, seus velhos leões do mar, ou sintam a ira de seu capitão! Pode parecer um termo fanfarrão gritado por um capitão de navio pirata, pois essa é a referência que temos do cinema e das histórias que mitificaram os ladrões dos oceanos como pessoas irreverentes, com um toque de romantismo, comédia e charme. Assisti um documentário do National Geografic Chanell se não me engano, talvez tenha sido no Discovery, mas enfim, vi que esse papo de pirata bacana nunca existiu.

O que me chamou atenção, foi a maneira empreendedora com que eles faziam suas pilhagens, fazendo atualizações de navios (sempre buscavam os mais modernos para morar), com muita estratégia e milícia. Os navios piratas eram verdadeiros "mini países", com códigos civis e por incrível que pareça extremamente democráticos. É isso mesmo! Os piratas definiam suas normas de conduta, dividiam a pilhagem de forma igual (exceto pelo capitão que tinha o dobro) e todos tinham igual poder, ninguém era diferente de ninguém e qualquer um podia tentar o posto de capitão.

Seus códigos civis previam indenizações por perda de membros ou invalidez, o que era inovador. Esses caras brindaram o mundo com princípios democráticos antes da famosa carta constitucional americana, que previa todos esses quesitos, em contra partida, eram brutais, executavam torturas com prisioneiros, quem desrespeitasse as normas podia pagar com uma morte muito dolorosa. Nada de andar na prancha: chicotadas com chicote feito pela vítima, exposição das vísceras, queimaduras e uma série de atos de crueldade extrema.

Esses contrastes me fazem refletir sobre a nossa sociedade, será que nós, brasileiros e democráticos, seguidores do estado de direito estamos muito longe dos velhos piratas?Acho que estamos piores. Estamos em uma suposta liberdade de escolha política, onde elegemos representantes que nem sabem o que fazer, fora lutar pelos benefícios próprios, com leis que beneficiam a minoria, várias inconstitucionais. Um judiciário com decisões notoriamente políticas, e bem, um executivo que trabalha como legislativo com infindáveis "MPs" para consertar a cagada toda, é claro, tirando vantagem de tudo. No fim, nós, povo, reles marujos da caravela "falsa democratica", nos matamos pelas sobras da pilhagem, só que nesse caso é a sobra do suor sagrado.

Pois é, em outra vida quero ser pirata. Viviam mal, mas tinham escolha, nós, sei não...

3 comentários:

MiHi - Comunicações disse...

Salve Grande Lobo do Mar, José Roberto Fávaro.

Parabéns por desmistificar, nesse breve comentário, a história dos piratas.
Bixo, a comparação na democracia deles com a nossa foi algo utópico se pensarmos na questão geográfica e organizacional. A democracia de em um návio também funcionava por estes terem desejos mútuos. Diferente de governantes do Brasil, como citado por você em seu texto. E, por possuirem núcleos menores a governabilidade em návio é mais fácil que em um na Terra do Futebol. Talvez se diminuissemos o convés do Brasil, sua administração seria mais interessante e aí sim, navegariamos pelo mar desenvolvimento de forma mais expressiva.

Abraços do Hermann

MiHi - Comunicações disse...

Fala velho lobo do mar , José Roberto Fávaro

Parabéns pela desmistificação resumida dos piratas. No entanto penso:

A democracia funciona em návio funciona pois este tem um espaço geográfico menor e os interesses são homogêneos.

Todavia essa cargueiro Brasil, possue um convés muito amplo e seus marujos possuem idéias plurais e setoriais o que não permite uma boa navegação.

Talvez se descentralização mais o poder dos Capitães e fragmentassemos um pouco mais essa enorme galera, a administração seria melhor. E, por sequencia nossa navegação seria mais expressiva.

Quanto ao estado direito, essa palavra só existe grafada, na prática; nem no embarcação Roma isso funcionou com harmonia.

Abraços do Hermann

Lindemberg Rocha disse...

Demorei, mas postei Zé,

Veio! Fico impressionado com a tua facilidade em prender o leitor ao teu texto, muito bom!

O Hermann acrescentou pontos interessantes ao tema; o volume de indivíduos, a complexidade social e as falácias da constituição.

Já debatemos diversas vezes sobre esse tema. E vou insistir- incentivar o individualismo é propor a competição, que justifica a hierarquia, que sustenta o poder, que finalmente provoca a injustiça.

Nessa estrutura, nunca haverá democracia!

Abraço Zé
Viva a revolução!